sexta-feira, 15 de abril de 2011

Racismo e sociedade brasileira

Não entendo como ainda existe no Brasil essa idéia de democracia racial. A própria miscigenação da sociedade foi uma consequência da violência e dos abusos a que negras eram submetidas pelos seus senhores ou patrões.
Muitos alegam que a discriminação ocorre em razão da classe social, e não pela cor, o que não poderia estar mais longe da realidade. São duas questões diferentes, são preconceitos que se somam e que acentuam o grau de marginalização e exclusão do indivíduo na sociedade.
Essa exclusão vai ocorrer durante a seleção para emprego, na escolha de qual funcionário será promovido, na formação do grupo diretivo da empresa, no salário oferecido e em diversas outras situações.
Além desses fatores mais objetivos, há o fato de o negro ver atacada sua imagem, sua cor, desde criança, o que apenas prejudica sua auto-estima, e consequentemente, suas ambições de vida.
Acredito que essa realidade tem se alterado um pouco nos últimos anos, especialmente com as políticas de cotas em universidades, mas muito caminho ainda precisa ser trilhado.
O futebol não deixa de ser diferente, faz parte da sociedade brasileira e por isso não está imune ao preconceito. Aceita-se o negro porque indiscutivelmente ele possui uma habilidade acima da média (bem como o negro do basquete norte-americano), mas desde que seja apenas para esse trabalho braçal. Para compor a diretoria de um clube, para ser um treinador de respeito, para dirigir as federações de futebol, aí é um trabalho para os senhores brancos...




15/4/2011
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Atos racistas, como os que tiveram como alvos os jogadores Roberto Carlos e Neymar recentemente, em jogos na Europa, costumam ganhar maior repercussão justamente quando ocorrem no exterior.
Quando acontecem em estádios brasileiros, episódios como esses costumam ser minimizados ou negados pelos autores e até mesmo pelos próprios atletas hostilizados, devido à ideologia de que o Brasil é uma democracia racial e isento de racismo, segundo dissertação de mestrado em história social defendido em fevereiro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).
Intitulado “Além dos gramados: história oral dos negros no futebol brasileiro (1970-2010)”, o estudo foi feito por Marcel Diego Tonini e contou com Bolsa da FAPESP.
Para desenvolvê-la, o autor entrevistou 20 personalidades do futebol brasileiro, entre jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, torcedores, jornalistas e especialistas, em sua maioria negros.
Entre os entrevistados estão o comentarista esportivo Leovegildo Lins da Gama Júnior, ex-lateral do Flamengo e da Seleção Brasileira; Jairo do Nascimento, goleiro do Corinthians na década de 1970; José Carlos Serrão (Zé Carlos), ponta e meia-esquerda do São Paulo no começo dos anos 1970 e atual técnico do Central de Pernambuco; e Luiz Carlos (Lula) Bezerra Pereira, que jogou no Sport Recife e no América-MG, entre outros times.
Questionados inicialmente por Tonini se já tinham sido alvo de atos racistas em campo no período em que atuaram como jogadores, a maioria procurou negar, em um primeiro momento, a existência de racismo no futebol brasileiro e evitou expressões como discriminação. Mas, aos poucos, começaram a relatar alguns casos que sofreram.
Já os entrevistados brancos procuraram relativizar as ocorrências de racismo...

Continua em:

Racismo no Futebol

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Divulgação Científica

Folha artificial

28/3/2011
Agência FAPESP – Da teoria para a prática. A busca pela fotossíntese artificial acaba de dar mais um importante passo. A novidade foi apresentada neste domingo (27/3) em Anaheim, nos Estados Unidos, por um grupo de cientistas que desenvolveu uma folha artificial capaz de produzir energia.
Na 241ª reunião nacional da American Chemical Society, o grupo liderado por Daniel Nocera, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descreveu uma célula solar do tamanho de um baralho de cartas capaz de imitar a fotossíntese, processo por meio do qual as plantas convertem luz e água em energia.
A fotossíntese artificial é investigada em centros de pesquisa de diversos países e foi um dos principais assuntos debatidos no Workshop BIOEN/PPP Ethanol on Sugarcane Photosynthesis, realizado pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia em 2009.
“Uma folha artificial funcional tem sido uma espécie de cálice sagrado da ciência há decadas e acreditamos que tenhamos conseguido desenvolvê-la. Nossa folha se mostrou promissora como uma fonte de energia de baixo custo para residências pobres em países em desenvolvimento, por exemplo. Nosso objetivo é fazer com que cada casa tenha sua própria geração de eletricidade”, disse Nocera.
Apesar de ter como base as folhas verdes, o dispositivo apresentado pelos cientistas norte-americanos em nada lembra um vegetal, com exceção do resultado energético.

Continua em: Folha artificial

Comentário: Projeto espetacular que traria a independência energética para muitos povos. Interessante especialmente numa época em que se debate tanto o uso da energia nuclear. A questão é que uma invenção como essa afetaria poderosos interesses econômicos e empresariais. Não sei por que mas não consigo imaginar que esse aparelho chegue para a população mais carente a preços acessíveis.